Yves Klein, o camaleão da arte

Yves Klein, o camaleão da arte

Uma das figuras mais marcantes da arte conceitual, Yves Klein não brincava em serviço, ele levava o que fazia muito a sério.

Um dos nomes mais importantes da contemporaneidade europeia, era difícil classifica-lo em um único movimento artístico. Alguns críticos o chamavam de neodadaísta, outros de modernista, mas ele ponderava entre tudo isso e muito mais.

Artista, envolvido com fotografia, artes plásticas e performances, ele gostava de despertar experiências sensoriais no público que não fossem meras percepções do senso comum.

Por isso, fundou o movimento Nouveau Réalisme, que consiste em basicamente trazer novos significados artísticos para objetos, que se tornavam materiais em sua obra contribuindo com a percepção inédita do real.

Uma técnica curiosa que exemplifica isso era o fascínio de Yves por usar modelos como pincéis, fã da monocromática, desenvolveu seu próprio tom de azul, o International Klein Blue, ou Azul Klein.

Com isso, em 1960, realizou uma performance em que as modelos pintavam-se de azul e marcavam seus corpos em uma tela, enquanto várias pessoas assistiam e uma banda tocava uma sinfonia monofônica que ele mesmo criou.

Além disso, ele se interessava por temáticas abstratas que envolviam os conceitos de vazio. Certa vez ele vendou ambientes teoricamente vazios que custavam literalmente barras de ouro, a intenção era mostrar que a apreciação do vazio valia algo puro e precioso. O ouro que recebeu foi descartado no Rio Sena.

A imaterialidade da arte era algo importante para ele, e estava diretamente vinculada com o vazio. Suas obras normalmente eram pouco perceptivas, ele criava figuras sem formas, sinfonia sem notas, tudo para eliminar uma percepção pré programada das coisas. A arte é liberdade, e o vazio era o seu estado de nirvana.

Outro feito emblemático foi a sua fotografia Saut dans le vide, como resposta às viagens lunares da NASA que julgava como arrogantes, em que ele pulava de um muro em direção a uma calçada, sem auxílio nenhum, um salto no vazio. Essa obra foi selecionada para ilustrar seu panfleto do Artista no Espaço.

Klein morreu aos 34 anos de ataque cardíaco, na França, local onde também nasceu.

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